terça-feira, 22 de setembro de 2009

19/09 (sábado): SÃO PAULO -> RECIFE -> JUAZEIRO -> CRATO


* Para quem ainda não entendeu exatamente o que estou fazendo aqui em Nova Olinda (CE), eu conto: meu TCC é sobre um projeto da Fundação Casa Grande (http://www.fundacaocasagrande.org.br/)chamado 'Os Cabinha'. Trata-se de uma bandinha de lata, onde os instrumentos e as composições são feitas por crianças. Ninguém é obrigado a participar da bandinha, se aproximam aqueles que começam a se interessar por música. Cada um escolhe o seu instrumento e eles vão se desenvolvendo conforme os ensaios e os shows. Já houve várias gerações de cabinhas e a atual está prestes a passar a bola para os mais novos. Nosso objetivo é apresentar a Fundação Casa Grande para quem não conhece, contar a história deste projeto e mostrar essa fase de transição. Estamos entrevistando antigos e futuros cabinhas. Alguns deixaram de ser cabinha para se tornar músico de verdade, outros se identificaram mais com outras áreas da fundação, como rádio, tv, etc. Uma das gerações antigas hoje é uma banda de jazz, para vocês terem uma ideia. *

Pois é, adiei o quanto pude, mas chegou o momento de viajar de avião. Se eu fosse passar um mês aqui, juro que vinha de ônibus. Pena que não era o caso. O frio na barriga começou no ônibus da Gol que peguei de Congonhas para Guarulhos. Um amigo me disse são maiores as chances de eu cair em um bueiro que a de um avião cair. O fato é que, se eu tiver que cair em um bueiro ou com um avião, quero estar em um sono profundo, para não ver nada! (macabro, mas é verdade, fazer o que?). Então, além de virar a noite acordada de sexta para sábado, ainda tratei de tomar um Dramin antes de voar. Claro que o nervoso não me deixou dormir.

Como eu já esperava, odiei a experiência. “Depois que você voar a primeira vez, não vai querer parar”... BA-LE-LA! Detestei e, por mim, eu ficava ali em Recife mesmo e nem pegava o voo para Juazeiro! Mentalizei (FORTE) um ‘final feliz’ do início ao fim do voo. A tranquilidade da Nati ao meu lado era tanta que hora me acalmava, hora me irritava (inveja pura!). Como pode?!?! Eu não conseguia nem interagir muito. Depois de umas 2 horas de voo, desisti do meu nervoso. Mas, assim que iniciamos o processo de pouso, ele voltou com força e só foi parar quando pisei no chão. Jorge du Peixe, do Nação Zumbi, viajou ao meu lado, o que, ao invés de me empolgar, me fez pensar nas possíveis manchetes que sairiam na mídia, no caso de um acidente. Mas, com esforço e com a humilhação causada pela empolgação de uma menininha de 3 anos com a viagem de avião, consegui afastar os pensamentos do mal.

Minha passagem em Recife se resumiu a ir ao banheiro, comer no Bob's, perder meu casaco, reencontrá-lo no achados e perdidos, preencher e assinar um formulário gigante (no auge do atraso para o embarque), jogar um refrigerante inteiro no lixo (e depois descobrir que não precisava) e me preparar psicologicamente para mais um voo, até Juazeiro. Estávamos quase pousando quando o piloto avisou: “temperatura em Juazeiro, 37°C”. Desde então, só tenho usado chinelo e roupas que não cubram nem as pernas e nem os braços. Esse Estado é quente demais, meu deus!

O aeroporto de Juazeiro é mais do que simples, sem estrutura nenhuma. A Mari, ex-acessora dos Cabinhas, foi nos buscar com um amigo taxista e nos levou para o Crato, onde ela mora. Como eu temia, o Dramin começou a fazer efeito no Crato. Capotei no carro, indo de Juazeiro pra lá, depois no chão, encima de uma mala, e, com custo, me convenceram a ir para a cama. Já à noite, saímos para comer algo na Praça da Sé (pois é! De mesmo nome que a de São Paulo, mas com 1/15 do movimento) ao som da banda marcial do Exército, que está fazendo treinamento no Ceará.

Depois voltamos para tomar banho e nos arrumar para a festa que rolaria no Café Estação. Show ao ar livre, pessoas divertidas, muita conversa e muitas perguntas. Nem parecíamos nós as jornalistas. Incrível como fomos bem recebidas. Se dependesse das pessoas que conhecemos, passaríamos pelo menos um mês por aqui. Saímos de lá umas 3h30 e fomos dormir por volta das 4h. Tentei deixar meu lado boêmio em São Paulo, mas ele se recusa a ficar longe de mim.

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