domingo, 27 de setembro de 2009

25/09 (sexta): SABE QUANDO TUDO TEM CARA DE DESPEDIDA?

Hoje foi assim. Acordamos às 6h horas com a promessa de cumprir um cronograma lotado de tarefas. Acredita que deu certo? O sol tava forte, minha cólica idem, mas rolou. Hoje é dia de Vaquejada (http://migre.me/duFA), festa tradicionalíssima da cidade. Tanto que é feriado nas escolas. Por isso, estava todo mundo na Casa Grande logo cedo. Esperamos os meninos acabarem a limpeza para que filmássemos o Iêdo nos guiando pelo museu. Na bandinha, ele é percussionista, mas além de seguir na música, ele quer ser arqueólogo quando crescer. Se continuar empenhado, vai ser dos bons! Explicou cada área e cada peça do museu Memorial do Homem Kariri com muita propriedade. Meninos de 11 anos não costumam manjar de arqueologia, mas, depois de um semana na Casa Grande, acostuma-se com esse tipo de coisa. Espero que a filmagem saia boa. Sou uma negação atrás das câmeras. Mas pelo menos a fotográfica (profissional, veja bem) eu estou aprendendo a domar aos pouquinhos. A Amanda me ensinou umas coisas e eu gostei mesmo da brincadeira.


Entrevistamos a mãe do Iêdo com a presença dele. A Dona Teresinha é uma querida, só que saímos com a sensação de não ter perguntado tudo o que precisava. Mais uma passada na fundação e fomos até a marcenaria do pai do Arthur (baixista da bandinha), o seu Luís. É ele quem faz parte dos instrumentos da bandinha e outras mil coisas para a Casa Grande. Estava trabalhando, então nos pediu que passássemos em sua casa, por volta das 13h para falarmos com sua esposa também.

Mais uma vez voltamos à fundação. O Matheuzinho (Xixoda) queria que fossemos até a casa dele, para conhecer. Infelizmente não deu tempo. Esse menino é a coisa mais linda. Super atencioso, carinhoso, uma figurinha. Um dos grandes resposáveis pelas minhas lágrimas. Pois é, chorei de novo hoje. Dessa vez com mais dor ainda, porque a hora de ir embora está chegando MESMO. Não queria chorar na frente deles, mas não deu. Dei a câmera na mão da Nati e saí para chorar em um canto, o Xixoda foi para o outro. Acho que chorou também, tadinho.

Já na casa do Arthur, a entrevista com o seu Luís e a dona Evânia fluiu bem. Eles têm 4 filhos e todos passaram pela Casa Grande. Na verdade, apenas um deles saiu, o Luizinho. O Arthur (11 anos) é da bandinha, mas está saindo para tocar instrumentos de verdade; o Aécio (21) é baixista da Abanda e freqüenta (e daí que as regras mudaram, não abro mão do trema!!!) a fundação desde pequeno e o Augusto (9) está para entrar nos Cabinha como percussionista. Além deles, a Evânia também faz parte da Casa Grande, pela cooperativa da fundação. Só os pais deram entrevista e falaram bastante. Ambos se emocionaram ao falar do Luizinho. É a primeira vez que um entrevistado chora na minha frente. Bem tenso... Ainda bem que a fita da câmera acabou bem nessa hora. Aí, até trocar e retomar, deu tempo de descontrair o ambiente. Queridíssimos os dois, só não ficamos mais porque a Marizete estava nos esperando para o almoço.

À tarde, voltamos à fundação. Era um dia de aparar arestas e garantir que não daríamos falta de nenhuma imagem ou entrevista quando chegássemos em São Paulo. Fizemos mais algumas entrevistas, mas não muitas. A cidade já estava toda voltada para a Vaquejada. Os meninos não falavam de outra coisa e a agitação era geral para o evento. Eles me contaram que muita gente vai de bota. Por coincidência e pura falta de noção climática, eu estava com um par de botas na mala. Pra quê eu comentei? Ficaram empolgadíssimos e me pediram para ir de com elas.

Já que pediram, aproveitei e caprichei. Bota, vestido, lenço no pescoço, uma beleza! E, antes que você ria, fui muito elogiada, tá? (risos) Depois do desfile de moda amador, é a primeira vez que vejo uma concentração tão grande de gente em Nova Olinda. A maior parte das pessoas estava no Parque das Vaquejadas (era esse o nome?), mas a cidade estava toda movimentada. Rolava um parquinho de diversões e a meninada falou o dia todo da tal da barca. Era o barco viking. Claro que eu não fui! 1) não achei muito confiável; 2) minha cota de 'nervoso pago' eu reservei para o avião. Pagamos a entrada das crianças e, para a minha surpresa, a Nati comprou uma para ela. Aproveitei para filmar a cena lá debaixo. Quando todo mundo desceu, só ouvia as criancinhas comentando que uma ceeerta pessoa gritou feito uma maluca lá dentro! Era a única com mais de 1,5 m no brinquedo, mas vou manter a identidade dela em segredo. (risos)

Estava me sentindo uma árvore de Natal enfeita com crianças. Era o Matheuzinho em uma mão, o Filipim na outra e o Daniel agarrado na minha cintura. Eu, com a minha mania de saudade antecipada, queria mais é que eles ficassem ali mesmo, bem pertinho. Quando a vaquejada estava para começar liguei a câmera. Desliguei em 5 minutos. A falta de luz e o medo de um boi pular o cercado (e olha que um quase conseguiu) me fizeram desisti. Odiei ver aqueles vaqueiros derrubando os pobres bichinhos e me apavorei com a fragilidade do cercado. Mas, toda vez que eu me assustava, o Matheus me olhava e dizia: “calma, ele não pula não”. Não preciso dizer que fui a primeira a aceitar a proposta de irmos para a Casa Grande, né?


No caminho, passamos na farmácia para comprar sorvete (é, na far-má-cia!) e depois as crianças pararam para balaçar no balanço da àrvore. Lembra aquela pessoa que gritou desesperadamente na barca? Pois é, ela foi para a balança também. E depois me zoa por eu ter me empolgado brincando de passa-anel! (risos)
Na Casa Grande, retomamos os batuques. Nada melhor para uma viciada do que gerar uma legião de viciadinhos!hahahaha As crianças gostaram mesmo da percussão corporal e, principalmente, do batuque de ‘Fome Come’.

Hora de ir embora e começam as promessas de chegar bem cedinho na fundação no dia seguinte. Afinal, teríamos só até as 8h30 para aproveitar. Nesse horário pegaríamos a topic para o Crato.






PS: ensinei o Momô a desenhar com estilete em lápis, como eu faço. Ele adorou e, inconformado com os desenhos, disse que meu estilete devia ter algo de especial. E tem, já que há anos faço minhas artes com ele. Decidi dar a ele de presente. Mais tarde, recebi em troca um lápis desenhado por ele. Tem escrito “Nayla e Momô”, o símbolo da Casa Grande, flechas e até o desenho das lágrimas que derramei enquanto o entrevistava. Esse menino é incrível!


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